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Como ir às Poças do Malho?

Jorge Bastos Por Jorge Bastos — Sou um homem do Norte, viajante por natureza, mal acabo uma viagem e já estou a pensar na próxima.

As Poças do Malho (também conhecidas como Pozas de Mallón em espanhol ou ainda Pozas do Mallón em Galego) são um conjunto de cascatas e lagoas de águas cristalinas no rio Laboreiro (ou rio Barcia), um dos locais mais bonitos e menos conhecidos da região. Trata-se de um lugar selvagem, com um acesso desafiante, mas cuja beleza e enquadramento paisagístico recompensam plenamente o esforço.

Neste artigo explicamos como ir às Poças do Malho, onde começa o trilho, quanto tempo demora a caminhada e tudo o que precisa de saber para planear a visita. Situadas na fronteira entre Portugal e Espanha, estas piscinas naturais encontram-se entre o Parque Nacional da Peneda-Gerês, do lado português, e o Parque Natural Baixa Limia–Serra do Xurés, do lado galego.

Antes de se pôr a caminho, é importante esclarecer que este trilho não permite chegar facilmente às Poças do Malho. O percurso termina num miradouro com uma vista privilegiada sobre as cascatas, sendo o acesso direto às poças praticamente impossível ou, pelo menos, altamente desaconselhável. No entanto, ao longo do caminho existem várias lagoas de águas cristalinas onde é possível tomar banho e relaxar.

Trilho para o Miradouro das Poças do Malho

  • Nome: Trilho para o Miradouro das Poças do Malho
  • Início – Olelas, parque de estacionamento
  • Fim – Miradouro das Poças do Malho
  • Distância – 2 km (+ 2km para voltar)
  • Tempo necessário – 1 hora (só ida)
  • Dificuldade – fácil a moderada
  • Máx/min altitude: 480/350 metros
  • Ganho de altitude: cerca de 148 metros
  • Tipo – linear, ida e volta
  • Sinalização (1-5) – 3, Pouca sinalização, mas é um caminho muito fácil de seguir
  • Destaques: Poças do Malho, miradouro, ponte pedonal internacional, pequenas poças pelo caminho.
  • Ficheiro GPX para download no wikiloc.
Varias cascatas e poças num desfiladeiro rodeado por arvores e montanhas
Poças e Cascatas do Malho

Como ir às Poças do Malho?

Uma vez que as Poças do Malho ficam no rio Laboreiro, na fronteira entre Portugal e a Galiza/Espanha, poderíamos pensar que o acesso às mesmas poderia ser por Portugal ou Espanha. No entanto, o único acesso que conhecemos é feito por Espanha. O lado de Portugal não tem trilhos, nem acessos próximos. A única alternativa seria fazer canyoning.

Neste artigo explicamos exatamente como chegar às Poças do Malho através de um trilho pelo lado espanhol. Este trilho inicia-se em Olelas, Entrimo, tem cerca de 2 km (só ida) e leva-nos até ao Miradouro das Poças do Malho. Mais abaixo explicamos direitinho, como chegar a Olelas e ao início do trilho.

Importante

No Google Maps existe um pin marcado como Poças do Malho/Pozas de Mallon, mas as Poças não estão ali situadas. Lá fica o início do trilho que nos leva ao miradouro das Poças do Malho.

No início desta curta caminhada temos um pequeno parque de estacionamento e painéis informativos acerca do trilho. O acesso ao percurso é relativamente fácil, temos apenas de descer um caminho em direção a nascente e partir daí seguir o caminho.

As primeiras centenas de metros são bastante fáceis, praticamente planas e sempre paralelas ao rio, até se chegar a uma ponte pedonal internacional que liga Portugal e Espanha. Quando lá fomos estava encerrada por motivos de segurança, e não havia qualquer sinal de que iria abrir tão cedo (mas se tiver mais informação atualizada, pf envie-nos).

Ponte de madeira pedonal entre Portugal e Espanha que se encontrava encerrada no momento da visita
Ponte pedonal internacional entre Portugal e Espanha que se encontrava encerrada

O nosso caminho continua sempre ao longo do rio, passando por duas vedações e várias pequenas lagoas. Aproveite para dar um mergulho, ou anote mentalmente em qual vai querer ficar na volta, pois não é possível aceder às Poças do Malho a partir do miradouro.

uma pessoa observa um lago esverdeado muito sereno rodeado por pedras
Uma das lagoas pelo caminho

Depois de pouco mais de 1 km a caminhar, o trilho começa a subir, e a afastar-se do rio. Esta parte está bem indicada e não tem como enganar. A partir daqui começa a subida para o miradouro. A subida não é muito longa, mas é bem empinada. Faz-se bem com calma, desde que tenha atenção.

Chegados ao miradouro, deparamo-nos com uma vista fabulosa sobre o vale do rio Laboreiro, bem como sobre as várias cascatas e lagoas que compõem as Poças do Malho.

várias lagoas e cascatas das poças do malho com agua esverdeada e rodeada por floresta
Miradouro para as poças e cascatas do Malho

Este trilho continua em frente e a subir, ainda continuamos mais uns 500 metros para verificar se não haveria um caminho diretamente para as poças do Malho, mas não encontramos nenhum, e a partir de determinada altura o trilho segue ainda mais para cima, afastando-se completamente das poças do malho.

A partir do miradouro, temos de voltar pelo mesmo caminho, até ao parque de estacionamento.

uma pessoa observa as poças do malho num miradouro feito de madeira
O Miradouro no final do trilho

Onde tomar banho?

Pois, se não é possível (ou fácil) ir à água nas poças do Malho, onde vamos? Não se preocupe, também lhe ajudamos nisso. Se quiser ir a banhos, escolha um dos vários caminhos que partem do trilho principal e dão acesso a pequenas lagoas, extremamente agradáveis e que provavelmente terá só para si.

A melhor lagoa que descobrimos fica já cerca de 1 km após começar a caminhada, numa secção onde não há bosque nem sombras. Se estiver atento, notará que o rio ali forma uma bela lagoa e existe um caminho estreito para lá chegar. A lagoa é suficientemente funda para nadar e até mergulhar e tem espaço nas rochas para apanhar sol. É um lugar brutal! Neste artigo tem algumas fotos para ajudar a reconhecer, mas fica exatamente aqui.

Se quiser mesmo ir às Poças do Malho, a melhor hipótese será fazendo canyoning no rio. Se o caudal estiver pequeno, pensamos ser possível, mas não o fizemos nem o podemos aconselhar.

lagoa com agua verde azulada com uma pessoa a nada e rodeada por pedras
Uma das lagoas ao longo do caminho ideal para dar um mergulho

Como chegar ao início do caminho para as Poças do Malho?

Tal como referimos em cima, para chegar às Poças do Malho, temos de ir por Espanha, nomeadamente para a pequena povoação de Olelas, Entrimo, Galiza.

Do Porto a Olelas são quase 150 km, o que demora cerca de 2 horas. O melhor caminho é seguir pela A3 até ao IC28, perto de Ponte de Lima e virar em direção a Arcos de Valdevez/Ponte de Lima, até ao final da estrada. Aí continuamos pela N203 que atravessa o Parque Nacional e vai até ao Lindoso e à fronteira com Espanha.

Chegados a Espanha, continuamos na mesma estrada por alguns km, até Aceredo, onde viramos para a ponte sobre o lago da barragem do Lindoso em direção a Illa. Em A Illa viramos à esquerda em direção a Olelas. Este último troço até Olelas são apenas uns 10 km, mas vá com algum tempo. É uma estrada boa, mas extremamente sinuosa e com vistas brutais.

Em Olelas, temos de virar à esquerda para o rio Laboreiro, numa descida bastante inclinada e caminho estreito (mas asfaltado) pela ladeira até chegar ao parque de estacionamento e aos sinais que marcam o início do trilho.

Tal como referimos acima, este local está marcado no Google Maps, pelo que pode usar o GPS para lá chegar facilmente.

Uma última nota importante, apesar deste local ser bastante perto de Castro Laboreiro, não existe um acesso fácil ou rápido entre os dois locais. São mais de 30 km que demoram quase uma hora a fazer.

Um rio num desfiladeiro com montanhas e árvores no geres
Rio Laboreiro no trilho para as poças do Malho

Melhor altura para ir às Poças do Malho

Este é um trilho que pode ser feito durante todo o ano, pois não oferece grandes dificuldades técnicas e tem atrativos tanto no verão como no inverno. No entanto, tenha muita atenção se decidir cá vir quando há chuva, pois a parte mais inclinada e com mais rochas, pode ser bastante escorregadia.

Durante o inverno vai ter a oportunidade de encontrar as cascatas com imensa água e, por isso, mais impressionantes. No verão é possível ir a banhos e, apesar do rio Laboreiro ser relativamente pequeno, quando lá fomos no verão ainda tinha caudal interessante.

Piscina de águas límpidas, com rochas visíveis sob a superfície, rodeada por rochas maiores. O sol projeta reflexos na água.
Pelo trilho há algumas poças ideais para nadar no Verão

A quem se adequa o trilho?

O trilho é curto e sem partes técnicas pelo que é relativamente fácil, e qualquer pessoa habituada a caminhadas vai conseguir fazê-lo sem grandes problemas. Acreditamos que seja possível de fazer mesmo com crianças (não demasiado pequenas) e caminhantes mais velhos que não tenham problemas de flexibilidade e mobilidade.

Tem também algumas sombras, o que facilita bastante a vida durante os dias de sol mais forte.

Sugerimos esta caminhada sobretudo a pessoas que já conhecem bastante bem a região, e que já visitaram a maioria dos lugares mais conhecidos do Parque Nacional como o Poço Azul, o Poço Verde, a Lagoa dos Druidas, as Lagoas do Xertelo, entre muitos outros poços e lagoas.

uma pessoa a caminha por um trilho inclinado
A subida final para o miradouro é puxadinha

Vale a pena visitar as Poças do Malho?

Sim, sem dúvida. Apesar de não ser possível aceder facilmente às Poças do Malho para nadar, a caminhada até ao miradouro vale bem o esforço. A vista sobre as cascatas e lagoas encaixadas no vale do rio Laboreiro é impressionante e permite apreciar um dos recantos mais selvagens e preservados da fronteira entre Portugal e a Galiza.

Além disso, ao longo do percurso, há várias lagoas de águas cristalinas onde é possível tomar banho e relaxar. Na nossa opinião, esta combinação entre uma caminhada curta, um miradouro deslumbrante e excelentes locais para banhos faz das Poças do Malho um destino que merece ser descoberto por quem procura fugir aos locais mais turísticos do Parque Nacional Peneda-Gerês.

O que levar para as Poças do Malho?

Apesar de não ter muito desnível acumulado, este é um trilho de montanha, e por isso não vai encontrar qualquer café ou bar pelo caminho, nem sequer no seu início. Assim, aconselhamos que leve:

  • Bastante água (cerca de 1 L por pessoa);
  • Snacks;
  • Calçado de caminhada confortável;
  • Roupa confortável;
  • Roupa de banho, óculos de sol, chapéu e protetor solar no verão;
  • Casaco de chuva, no inverno;
  • Telemóvel ou máquina fotográfica, pois existem muitas oportunidades para tirar belas fotos. O telemóvel também para ser usado como GPS.
  • Mochila pequena para levar tudo isto;

Como sempre, por favor, não faça lixo. Traga tudo o que levar consigo.

um trilho pelo meio da floresta com arvores musgo e pedras
Trilho para as poças do Malho

Onde ficar quando visitar as Poças do Malho?

O Parque Nacional Peneda-Gerês tem imensas opções de alojamento, muitas delas relativamente perto do início do trilho. Se quiser saber onde ficar no Gerês, sugerimos que veja este artigo, onde falamos sobre as melhores zonas do parque e os nossos hotéis favoritos em cada uma delas.

As Poças do Malho não têm o acesso mais simples entre as lagoas do Parque mas isso também é uma das razões que as tornam tão especiais e pouco visitadas. Quando lá decidir ir sugerimos que aproveite para explorar outras atrações pelo caminho, como Castro Laboreiro, Lindoso ou Lóbios e as suas famosas termas e piscinas de água quente.

Em baixo deixamos alguns alojamentos que recomendamos e ficam relativamente próximos das poças do Malho:

  • Hotel Miracastro – situado em Castro Laboreiro, a menos de 1 hora das Poças do Malho. É um hotel confortável, com terraço e um excelente restaurante.
  • Pensão Os Baños – Situada em Os Baños, Lóbios, fica mesmo em frente às famosas piscinas de água quente.
  • Destro Village – Casa completa com dois quartos, no Lindoso. Óptima para uma estadia em família.

Apesar do acesso exigir algum esforço, as Poças do Malho são um dos locais mais impressionantes e menos conhecidos da região do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Se procura natureza em estado puro, longe das multidões, este é um daqueles sítios que dificilmente esquecerá.

um animal selvagem possivelmente uma lontra em cima de uma rocha
Encontrámos uma pequena surpresa quando fizemos o trilho

Guarde para mais tarde se lembrar!

Como ir às poças do malho no Gerês
Trilho para as poças do Malho Gerês

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Jorge Bastos

Jorge Bastos

Sou um homem do Norte, viajante por natureza, mal acabo uma viagem e já estou a pensar na próxima. Do Gerês à Malcata, ando sempre à procura do Portugal menos óbvio. No Portugal Things partilho guias, dicas e percursos para ajudar outros viajantes a conhecer melhor Portugal.

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