Descobrimos a Cascata da Faia d’Água Alta ao pesquisar cascatas para incluir no nosso artigo sobre as melhores cascatas do norte de Portugal. Já o queríamos fazer há bastante tempo, mas tivemos de adiar porque queríamos ir na altura certa, ou seja, após as chuvas, para podermos usufruir ao máximo da sua maior atração: a cascata da Faia d’Água Alta.
Fica em Lamoso, Bemposta, Mogadouro, em pleno Parque Natural do Douro Internacional, e é um percurso circular de dificuldade moderada, devido a algumas partes com inclinação acentuada. É um daqueles trilhos em que o esforço se esquece rápido — a paisagem do Parque Natural e, sobretudo, a monumental cascata tratam disso.
O maior destaque é, sem dúvida, a Cascata da Faia d’Água Alta, que sobressai sobretudo após uma boa chuvada, quando o caudal impressiona. É um daqueles trilhos que nos delicia sobretudo pela sua maior atração, mas também é bastante bonito e agradável de caminhar ao longo de todo o percurso.
Se quiser conhecer outros percursos em Portugal, veja o nosso artigo sobre os melhores trilhos do país.
Informações práticas – Trilho da Cascata da Faia d’Água Alta PR4 MGD
- Nome: Trilho da Cascata da Faia d’Água Alta PR4 MGD
- Início: Capela do Santo Cristo, Bemposta. 41°18’44.7″N 6°30’06.8″W//41.312415, -6.501874
- Fim: Capela do Santo Cristo, Bemposta. 41°18’44.7″N 6°30’06.8″W//41.312415, -6.501874
- Distância: 10 km
- Tempo necessário: 4 horas
- Dificuldade técnica: fácil a moderada
- Dificuldade física: moderada
- Máx altitude: 725 metros
- Ganho de altitude: 427 metros
- Tipo: circular, marcado em ambas as direções.
- Sinalização (1-5): 5. Está muito bem marcado.
- Destaques: Cascata da Faia d’Água Alta, Aldeia da Bemposta, Calçada e Ponte da Bemposta.
- Pode fazer o download do panfleto aqui.
- Veja o ficheiro do GPS oficial aqui.

Descrição do Trilho da Cascata da Faia d’Água Alta PR4 MGD
Nossa experiência no trilho
O PR4 Mogadourou, também conhecido como o trilho da cascata da Faia da Água Alta, começa na Praça da Igreja do Santo Cristo na aldeia da Bemposta. A partir daí, podemos fazer o trilho em ambas as direções, mas seguimos na direção do ponteiro dos relógios.
Começando na praça do Santo Cristo, atravessamos a aldeia em direção ao pelourinho e, depois, à capela de Santa Bárbara. Aqui temos um bonito miradouro para o Douro Internacional, mas nada que se compare aos outros da região. Curiosamente, este é o ponto mais alto do nosso percurso e, por isso, vamos começar uma longa descida.
Primeiro saímos da aldeia, entramos num estradão de terra que passa por entre campos de oliveiras e amendoeiras. Ainda perto da aldeia, passamos por um cruzeiro e, pouco depois, começamos a ver a cascata ao longe. Se tiver bastante água, é impressionante mesmo a uma distância considerável.

A descida é toda feita pela encosta da ribeira da Bemposta, mas sempre em estradão e, por isso, bastante fácil. Após cerca de 3 km de caminhada, chegamos a uma ponte pedonal sobre a ribeira, atravessamos e viramos à esquerda.
Vamos agora seguir pela margem direita da ribeira, num percurso bastante acidentado, com subidas e descidas íngremes e delimitado por cordas para maior segurança, pois o vale é bem escarpado. Passamos por um antigo moinho e apreciamos a beleza natural.
Esta é uma das zonas mais bonitas da caminhada. Eventualmente, chegamos a uma bifurcação e temos de escolher se queremos seguir um caminho curto ou longo para o topo da cascata. Nós escolhemos o mais longo, pois é bem menos acidentado e também permite mais vistas para o ex-libris desta caminhada.

Seguindo pela esquerda, descemos uma última vez até uma nova ponte, desta vez sobre a ribeira do Lamoso, de onde se vê a impressionante cascata da Faia da Água Alta de baixo. Quando está com caudal elevado, é, sem dúvida, uma das mais bonitas de Portugal.
Após atravessar a ponte pedonal, temos uma curta, mas íngreme subida até o topo da cascata. São só 300 ou 400 metros e se fazem bem devido às vistas para a queda de água. Chegamos lá em cima. Temos também um abrigo para caminhantes com uma mesa, o que pode ser bastante útil quando o tempo muda de repente.

Aproveite bem esta parte, pois é, sem dúvida, a mais espetacular do trilho. Se quiser, pode seguir pelo caminho mais curto para ver também a casca nesse ângulo.
Continuando a nossa caminhada, vamos agora em direção à aldeia de Lamoso. São cerca de 1,5 km, novamente em estradão e praticamente sempre a subir. A paisagem é interessante, mas não extraordinária. No final da subida chegamos a uma estrada asfaltada e à aldeia de Lamoso.
O trilho segue pela estrada atravessando a aldeia. Passamos pela capela da apresentação e, algumas dezenas de metros depois, viramos novamente para um estradão. Aqui começamos uma longa, mas pouco acentuada descida até à ponte da Bemposta, uma antiga ponte medieval.
Depois da ponte, temos um último km a subir lentamente para a aldeia e, rapidamente, estamos de volta ao nosso ponto de partida.

Como ir à Cascata da Faia da Água Alta?
Se não quiser fazer o trilho completo e apenas quiser ver a cascata, a nossa sugestão é ir primeiro para Lamoso e fazer os 1,5 km a pé até à queda de água. Teoricamente, até poderia ser possível fazer de 4×4, pois o estradão estava em boas condições quando lá fomos, mas, na nossa opinião, é melhor não arriscar.
Alternativamente, também pode fazer a caminhada que fizemos desde a Bemposta até à cascata e de volta, mas não faz muito sentido, pois é bem mais longa e sempre em declive do que começar em Lamoso.

Distância e tipo de percurso
Este percurso tem cerca de 10 km e dura umas 4 horas a fazer na sua totalidade, já com algum tempo para lanchar e tirar bastantes fotos. Foi o que fizemos e o que demoramos.
É um caminho circular e, praticamente sempre, muito fácil de seguir. Apenas na aldeia nos distraímos e saímos do caminho. De resto, está bem marcado e, quando fizemos (2026), as marcações pareciam recentes.
Aconselhamos sempre que leve GPS e faça o download do caminho, mas, neste caso, nem precisamos de o usar, pois nunca tivemos dúvidas.

Altitude e desnível acumulado
Apesar de não ser propriamente um caminho de montanha, acabamos por ter um acumulado de mais de 400 metros, o que, num percurso circular de apenas 10 km, já é bastante respeitável. Em termos de altitude, não é demasiado alta, mas no miradouro de Santa Bárbara estamos acima de 700 metros.
Dificuldade técnica e física
O percurso não apresenta grandes dificuldades técnicas, e todas as zonas mais perigosas estão bem marcadas e delineadas.
Todas as viragens estão bem assinaladas e as zonas de maior declive, junto aos desfiladeiros, têm cordas de apoio. A única parte que pode causar mais problemas é o circuito à volta da Cascata, pois tem trechos ingremes e estreitos. Ainda assim, se não se sair das zonas marcadas e das cordas, dificilmente terá problemas.

Sinalização
Tal como já referimos, em janeiro de 2026, a sinalização era muito boa. Curiosamente, basta olhar uma única vez para o GPS e ainda assim foi dentro da aldeia da Bemposta. Durante boa parte do percurso, é também muito fácil continuar, pois estamos em estradões de terra batida e apenas o temos de seguir.
O início do trilho também está bem sinalizado, com um painel informativo.

Quando percorrer o trilho
Este trilho é ideal para ser feito durante a época das chuvas, quando a queda de água terá maior caudal e, por isso, será mais impactante. Diríamos mesmo que é um dos melhores trilhos em Portugal para fazer no inverno e na primavera, desde que não esteja a chover no próprio dia.
Se estiver a equacionar a fazer no verão, tenha em conta que, durante grande parte do percurso, não haverá proteção solar e que esta região atinge temperaturas muito elevadas. Além disso, a cascata provavelmente terá muito pouca água. Por isso, desaconselhamos.
No inverno, também é necessário ter atenção ao frio e à possível acumulação de água.
A quem se adequa o Trilho da Cascata da Faia d’Água Alta
O caminho não é muito duro e é fácil de seguir, pelo que qualquer pessoa habituada a fazer este tipo de caminhada relativamente curta pode fazê-lo com facilidade.
Na nossa opinião, é um excelente trilho para quem gosta de cascatas (ver apenas) e de descobrir lugares novos, ainda pouco populares. No entanto, não é adequado para pessoas com falta de mobilidade e flexibilidade, pois tem zonas de elevado declive.
É também importante mencionar que, se quiser ver apenas a cascata, o ideal é ir até Lamoso, deixar o carro aí e caminhar cerca de 1,5 km até à zona da cascata. Lá, pode fazer um caminho circular de cerca de 800 metros (bem acidentado), explorar a queda de água e, depois, voltar.

O que levar neste trilho?
Uma vez que não há grau elevado de dificuldade física ou técnica, não é necessário levar nada de extraordinário para este percurso pedonal. O mais importante é mesmo o calçado de montanha que não escorregue. Ainda assim aconselhamos que leve:
- Alguma água (cerca de 1 L por pessoa);
- Alguns snacks e lanche caso queira parar para um pequeno piquenique;
- Calçado de montanha confortável para caminhada. É possível fazer com sapatilhas, mas é importante que as solas não escorreguem.
- Roupa de exercício confortável;
- Casaco de chuva, no Inverno;
- Óculos de sol, chapéu e protector solar no verão;
- Câmera e telemóvel, pois há muitas oportunidades de tirar belas fotos. Telemóvel também para ser usado como GPS;
- Mochila pequena para levar tudo isto;
Como sempre, por favor, não faça lixo. Traga tudo o que levar consigo.

Como chegar à Bemposta?
Para chegar ao início do percurso da Faia da Água Alta, temos de nos dirigir à aldeia da Bemposta, no Concelho de Mougadouro, no Parque Natural do Douro Internacional, junto à fronteira com a Espanha.
Apesar das distâncias elevadas, chegar a Mogadouro é bastante fácil. A partir do Porto, temos de apanhar a A4 em direção a Bragança e sair alguns km depois de Vila Real para o IP5 em direção a Miranda do Douro. No IP5 temos de seguir sempre até Mogadouro e depois continuar no IP5 até à saída da Bemposta/Urroz. No total, são quase 250 km que se percorrem em cerca de 3 horas.
Se vier de Lisboa, o ideal é vir pela A23 até à guarda, entrar durante alguns km na A25 até engatar no IP2 para o norte e, finalmente, no IC5 em direção a Miranda do Douro. Note, no entanto, que são quase 500 km e cerca de 5 horas e meia até ao destino.

Onde ficar quando fizer o Trilho da Faia da Água Alta?
Uma vez que esta fabulosa cascata fica numa zona tão remota de Portugal, o ideal (para a maioria das pessoas) é ficar pelo menos uma noite na região e aproveitar para conhecer um pouco mais do Douro Internacional e da gastronomia da região.
A cidade mais próxima da Bemposta é Mogadouro, onde pode encontrar alguns alojamentos. A nossa recomendação vai para o Hotel Trindade Coelho, que dispõe de boas comodidades (centro de fitness, jardim, terraço e área de estar exterior) e de excelente localização. Veja mais informação aqui.
No entanto, o nosso hotel favorito na região do Douro Internacional é o Freixo Douro Superior, em Freixo de Espada à Cinta, que tem piscina interior aberta todo o ano, ginásio e um óptimo pequeno-almoço. Veja fotos e preços aqui.
Guarde para mais tarde se lembrar!

