Lenda da Batalha de Ourique

A batalha de Ourique terá acontecido em 25 de Julho de 1139, entre as tropas portuguesas, lideradas por D. Afonso Henriques e Muçulmanas, oriundas de várias taifas. Curiosamente, 25 de Julho era dia de São Tiago, o patrono das lutas contra os Mouros e conhecido popularmente como “Mata-mouros”.

Batalha de Ourique e a independência de Portugal

Esta batalha foi um dos momentos decisivos no processo de independência de Portugal pois foi após esta batalha que Afonso Henriques se intitulou “Rei de Portugal”. De facto, na sequência desta batalha, Afonso Henriques escreveu ao Papa Inocêncio reclamando para si e seus descendentes a posição de Rei de Portugal, apenas dependente de Roma, invocando o milagre de Ourique.

A negociação com o Papa foi longuíssima, e a homologação papal apenas acontecerá décadas mais tarde em 1179 com a bula Manifestis Probatum, mas entretanto Afonso VII de Castela já tinha considerado Afonso Henriques, como seu igual através da assinatura do Tratado de Zamora a 5 de Outubro de 1143.

Lenda da Batalha de Ourique
Castelo de Guimarães

Onde ocorreu a Batalha de Ourique?

Apesar de ser uma das mais célebre batalhas da história de Portugal, uma das coisas mais curiosas é não existirem certezas acerca do local onde esta ocorreu. Na realidade existem historiadores que não têm sequer a certeza se a batalha de Ourique existiu ou se é tudo apenas uma lenda. No entanto a mais antiga referencia à batalha vem já desde 1177 na Crónica dos Godos.

O local mais provável e normalmente aceite para a batalha é em Ourique (antigamente chama-se mesmo campo de Ourique) no Baixo-Alentejo. Na época, esta zona seria claramente território inimigo, mas uma razia de Afonso Henriques tão a sul não é de todo improvável, pois era uma estratégia de combate habitual durante a reconquista.

Existem no entanto outras alternativas como Vila Chá de Ourique no Cartaxo, onde foram encontradas imensas ossadas, ou Campo de Ourique, perto Leiria. Existe até uma teoria que diz que não seria Ourique, mas Aurik, em Espanha. Também muito pouco se sabe ao certo sobre o número de forças envolvidas ou das próprias circunstâncias da batalha. Diz-se apenas que as forças muçulmanas eram em muito maior número, mas pode também fazer parte da lenda.

Seja como for, a hipótese mais credível será mesmo que Afonso Henriques terá sido apanhado em território inimigo e obrigado a lutar contra o exército muçulmano conjunto das Taifas de Sevilha, Badajoz, Évora, Silves e Santarém. E é assim que começa a nossa Lenda da Batalha de Ourique.

História do campo de Ourique
Estátua de Afonso Henriques I (primeiro rei de Portugal)

Lenda da Batalha de Ourique

Conta a lenda que na noite anterior à batalha de Ourique, Afonso Henriques foi visitado por um velho homem que lhe era familiar pois já lhe tinha aparecido em sonhos. Este idoso senhor fez-lhe uma revelação profética sobre a batalha que se avizinhava e sobre o futuro. Além disto, disse-lhe para durante a noite sair do acampamento sozinho numa determinada direcção. E assim, Afonso Henriques o fez.

Depois de sair do acampamento, e estando agora completamente isolado Afonso Henriques é surpreendido por um raio de luz que ilumina tudo em seu redor. Após alguns segundos consegue distinguir o Sinal da Cruz e Jesus Cristo crucificado. O futuro rei de Portugal ajoelha-se emocionado e ouviu a voz do senhor prometendo a vitória naquela e noutras batalhas. Nas palavras de Padre António Vieira, Deus terá dito:

“Eu sou o fundador e destruidor dos reinos e dos impérios, e quero em ti, e nos teus descendentes, fundar um império para mim, pelo qual o meu nome seja levado às nações estrangeiras.
Vencereis, vencereis, e não sereis vencido. Sois amado de Deus, porque pôs sobre vós e sobre vossa descendência os olhos de sua misericórdia até à décima-sexta geração, na qual se atenuará a mesma descendência, mas nela atenuada tornará a pôr seus olhos.”

Padre António Vieira

Assim, era desígnio de Deus Afonso Henriques vencer a batalha de Ourique, fundar Portugal que se tornaria um império (de Deus), levasse a palavra do Senhor a todos os cantos do Mundo, e que seria o povo português o escolhido para estes grandes desígnios e tarefas.

Inspirado pela experiência divina, Afonso Henriques lidera as suas tropas para vencer a batalha, dizimando os mouros e matando os seus 5 Reis. Após esta vitória os soldados aclamaram Afonso Henriques “Rei de Portugal”.

Existes imensas variações da lenda, por vezes, o velho é um santo, outras vezes é o próprio Jesus Cristo. No entanto, a base e a simbologia é esta. As primeiras versões desta lenda, e as primeiras referencias ao milagre surgem nos séculos XV e XVI em crónicas que glorificam a acção de D. Afonso Henriques e que descrevem a intervenção divina a favor das armas Portuguesas.

Esta representação providencialista foi difundida e ampliada ao longo dos séculos, constituindo um dos principais alicerces ideológicos da fundação e expansão de Portugal e um instrumento da propaganda política da monarquia portuguesa. Devemos lembrar sempre a relação muito próxima entre a religião e o Estado durante todo este período.

Lenda de Ourique e o Brasão Português

A Lenda da Batalha de Ourique é de tal forma simbólica para Portugal que está representada no Brasão, no escudo e na Bandeira de Portugal. Diz a lenda que após vencer tamanha batalha com providencia divina, Dom Afonso Henriques decidiu que a bandeira Portuguesa passaria a ter 5 escudetes azuis carregados com besantes.

Os escudetes simbolizam os 5 Reis mouros vencidos em Batalha e as 5 chagas de Cristo, enquanto que os besantes significariam o 30 dinheiros de Judas. Aos escudetes azuis carregados com os besantes viríamos todos a chamar de “Quinas”. A única alteração nesta parte do escudo nacional teve a ver com o numero de besantes nos escudetes. Inicialmente eram mais e variáveis, tendo posteriormente ficado definido que seriam 5 e ficaram em forma de “X” (2+1+2)

Onde ocorreu a Batalha de Ourique
 Bandeira do Reino de Portugal (1834 – 1910)

Assim, tendo ou não existido a batalha, a verdade é que a Lenda de Ourique acaba por ser uma das mais importantes fundações de Portugal, e a sua simbologia foi tão importante para o país que está presente em todas as bandeiras Portuguesas há quase 900 anos. De certa forma, pode-se dizer que é a lenda da fundação de Portugal!

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