Significado da Bandeira de Portugal

A actual bandeira de Portugal foi criada em 1910, após a proclamação da República no dia 5 de Outubro de 1910. Uma mudança tão profunda na tradição monárquica de séculos justificava novos símbolos e consequentemente uma nova bandeira nacional.

A Bandeira Portuguesa é rectangular (altura é 2/3 da largura) e caracteriza-se por ser dividida verticalmente em duas cores – verde escuro e vermelho, ficando o verde na tralha e ocupando 2/5 do fundo. Sobreposto à união das cores e centrado verticalmente está o brasão de armas de Portugal sobre a esfera armilar, a amarelo.

Criação da Bandeira de Portugal

Apenas 10 dias após a revolução, a 15 de Outubro, uma das primeiras medidas do novo governo foi a criação de uma comissão para elaborar uma nova bandeira Portuguesa. Esta comissão era constituída pelo oficial de Marinha Ladislau Parreira, o oficial do Exército Afonso Palla, o jornalista e político João Chagas, o militar e escritor Abel Botelho e o famoso pintor Columbano Bordalo Pinheiro.

No dia 29 de Outubro foi apresentado um primeiro projecto de bandeira nacional, que correspondia em grande parte às bandeiras verde-rubras usadas em 5 Outubro mas com o vermelho do lado da tralha. Após algumas de alterações (formato da esfera armilar e retirada da estrela radiante colocada em timbre) foi apresentada um segundo projecto a 6 de Novembro, que foi aprovado pelo Governo em 29 de Novembro de 1910 e homologado pela Assembleia Constituinte a 11 de Junho de 1911.

O governo aprovou igualmente o dia 1 de Dezembro como sendo o dia da Bandeira, e logo a 1 de Dezembro de 1910 foi usada a nova bandeira nacional no desfile militar e popular que partiu da Câmara Municipal de Lisboa até à praça dos Restauradores, onde foi hasteada pela primeira vez.

Significado da Bandeira de Portugal
Avenidada da libertade no Porto

Simbologia da Bandeira Portuguesa

Significado das Cores da Bandeira de Portugal

A principais cores da Bandeira Portuguesa são o verde-escuro e o vermelho (escarlate). O Verde-escuro fica situado do lado da haste e ocupa dois quintos da área total, enquanto que o vermelho fica do lado do batente e ocupa os restantes três quintos da bandeira.

Popularmente o verde é associado à esperança do povo português, enquanto que o vermelho significa o sangue derramado pelos que lutaram pela pátria. No entanto, este suposto simbolismo é um “conto de fadas” criado à posteriori. Esta simbologia apenas surge durante o Estado Novo e é “um caso típico de simbologia que emerge do design” (Jorge Candeias, 27 Nov 1998), não sendo assim a real razão de se termos estas cores na Bandeira Portuguesa.

Mas porquê estas cores? Tal como referimos em cima, a bandeira e as cores foram escolhidas por uma comissão em 1910, aprovadas pelo governo e pela assembleia constituinte. Apesar de estarem presentes em algumas bandeiras e símbolos passados, tanto o verde como o vermelho nunca foram as cores principais de Portugal. Por outro lado, eram as cores das bandeiras do Partido Republicano Português e das bandeiras desfraldadas na revolta republicana do Porto de 31 de Janeiro de 1891. Apesar dessa revolução ter falhado, as cores ganharam força e simbolismo e nunca mais foram esquecidas.

Simbologia da Bandeira Portuguesa
Última Bandeira do Reino de Portugal, usada entre (1834 – 1910)

As tradicionais cores de Portugal era o branco e de forma menos vincada o azul. O Branco sempre tinha sido a cor mais simbólica do pais, estando presente em todas as bandeiras, enquanto que o azul era visto um pouco como a cor da monarquia, além de ser uma cor nacional. Por ser uma viragem tão grande, muitas pessoas eram contra a nova bandeira, havendo sugestões que mantinham o azul e branco, e outras que tentava conciliar as quatro cores. No final a nova bandeira prevaleceu.

A Esfera Armilar

Centrada e sobreposta à união das cores encontramos uma versão bastante estilizada da Esfera Armilar, em amarelo avivada a negro. É constituída por quatro aros dispostos como círculos máximos de uma mesma esfera, três dos quais sobre planos fazendo ângulos de 90° e um quarto, mais largo, em posição oblíqua. O aros simbolizam dois meridianos (nodal e zenito­‑apical), o Equador, e a Eclíptica, estando no entanto posicionados buscando harmonia gráfica e não correcção astronómica. Notar que não existem círculos polares na bandeira Portuguesa.

A Esfera Armilar é um dos mais importantes instrumentos astronómicos de navegação que os marinheiros portugueses utilizaram durante a Era dos Descobrimentos. Introduzida em Portugal pelos templários tornou-se um dos maiores símbolos da nação e sobretudo da época de maior glória de Portugal, os descobrimentos.

A Esfera Armilar já tinha sido incorporada por D. Manuel I na sua bandeira pessoal e posteriormente em bandeiras e símbolos nacionais. Foi recuperada pelos republicanos para representar a expansão marítima dos Portugueses ao longo dos séculos XV e XVI, e simbolizando o carácter global de Portugal.

Significado das Cores da Bandeira de Portugal
Bandeira atual da República (1910-presente)

O Escudo de Portugal

Sobreposto à Esfera armilar, temos o Escudo de Portugal. Com excepção do reinado de D. Afonso Henriques, o brasão está presente em todas as bandeiras históricas de Portugal. É assim o principal símbolo Português. A evolução do escudo ocorreu durante séculos, mas os principais elementos aparecem logo desde o reinado de D. Sancho I, o segundo rei de Portugal.

Este escudo é bastante complexo, com imensos pormenores e simbologia. Vamos primeiro descrever cada um dos elementos do escudo de Portugal e depois explicar os seus possíveis significados.

O Brasão presente na Bandeira Portuguesa é representado por um escudo em ponta redonda constituído por uma área interior branca e uma exterior vermelha, esta limitada paralelamente ao escudo. Na parte vermelha, temos sete castelos amarelos, três no topo (uma em cada canto e uma no meio), dois no ponto médio de cada quadrante da base curva (rodados 45 graus), e mais dois em cada lado da borda, sobre a linha horizontal da bandeira do meio. Cada castelo é composto por um edifício principal, mostrando um portão (amarelo) fechado, em cima da qual estão três torres com ameias.

Bandeira de Portugal significado
O escudo da bandeira de Portugal

Na parte branca do escudo temos cinco pequenos escudos (escudetes) azuis, dispostos em cruz grega (1+3+1). Dentro de cada um destes escudetes estão cinco discos brancos (os besantes) dispostos em forma de cruz de Santo André (2+1+2). Os escudetes assim carregados com os besantes são aquilo que normalmente se chama de “quina”.

Por fim devemos notar que o escudo está contornado a branco a toda a volta, e todos os objectos constituintes da bandeira são limitados por uma linha negra, com excepção dos besantes, dos escudetes, e claro dos campos de fundo vermelho e verde.

Simbologia do Brasão de Portugal

Para melhor percebermos o brasão, vamos dividir entre o escudo branco com as cinco quinas e a área externa vermelha com os castelos amarelos.

As quinas

Bandeira de Portugal cores
As quinas da bandeira de Portugal

A origem e significado das quinas, ou seja, os cinco escudos azuis com os 5 besantes brancos, está relacionado com a lenda da Batalha de Ourique. Segundo a lenda, Afonso Henriques terá sido visitado por Deus que lhe indicou que iria vencer a batalha.

De acordo com as lendas, os 5 besantes representam as 5 Chagas de Cristo quando crucificado, enquanto que os cinco escudos dispostos em forma cruz cristã representam os cinco Reis mouros (das taifas de Évora, Beja, Elvas, Badajoz e Sevilha) que D. Afonso Henriques terá morto durante a Batalha de Ourique. Existe uma outra versão da lenda que nos diz que os 5 besantes se referem às 5 feridas sofridas por D. Afonso Henriques na batalha.

Além disto, segundo a lenda, a soma de todos os besantes (sendo dos centrais contados duas vezes), simbolizam os 30 dinheiros que Judas terá recebido pela traição de Jesus Cristo. No entanto, temos de notar que estas explicações carecem de evidência, pois as mesmas aparecem apenas alguns séculos após a batalha de Ourique, por exemplo nas crónicas de Fernão Lopes (1419). Durante todo este tempo, o número de besantes foi variando.

Se olharmos para as bandeiras históricas portuguesas apenas em 1385 se fixou em cinco, pelo que o significado real não será exactamente esse. Supõe-se que a presença dos besantes tenha uma afirmação de soberania pois assistia ao soberano de cunhar moeda própria.

Os Castelos

O escudo actual tem sete castelos de ouro representados a amarelo, e segundo as lendas representam as sete fortalezas conquistadas no antigo reino do Algarve conquistado por D. Afonso III no século XIII. No entanto, esta explicação não completamente satisfatória pois além de D. Afonso III já usar castelos antes das conquistas, este não tinha um número especifico de castelos. O número sete é fixamos muito mais tarde, apenas em 1485.

Uma das hipóteses mais verosímeis para os castelos prende-se nos laços familiares de D. Afonso III, pois sua mãe e sua segunda esposa eram castelhanas, cujo brasão consiste exactamente num castelo dourado sobre um campo vermelho.

Historia da bandeira de Portugal
Os castelos da Bandeira de Portugal

A Bandeira de Portugal

A actual bandeira portuguesa surgiu com a implantação da república, com o objectivo de romper com alguns símbolos do passado e em especial com a Monarquia. As novas cores, que agora nos parecem tão naturais, foram bastante discutidas e demorou algum tempo a serem completamente aceites. O tempo, as guerras, as dificuldades passadas, e até o desporto trouxeram legitimidade à nova Bandeira Portuguesa, e actualmente é uma não-questão para a grande maioria dos Portugueses.

Para terminar deixamos as palavras do poeta Bernardo Passos:

Ela é tão nossa já, a guiar-nos os passos…

De tal forma diz Pátria, essa bandeira bela,

Que ou esta Pátria vive erguendo-a bem nos braços

Ou esta Pátria morre amortalhada nela!

Tudo sobre a bandeira de Portugal
Castelos de Bragança

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