O Trilho Castrejo, em Castro Laboreiro, é um dos mais bonitos e emblemáticos do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Leva-nos a descobrir a paisagem típica desta região, alternando caminhos rurais, florestais e de montanha.
É um percurso longo e com alguma altimetria — como não poderia deixar de ser numa zona tão montanhosa — por isso reserve todo o dia para o fazer. E atenção: Castro Laboreiro fica no extremo norte de Portugal e o acesso pode ser demorado, mas vale bem a pena.
Apesar de conhecermos bem o parque, ainda não tínhamos explorado esta zona. Ficámos rendidos à beleza e imponência do trilho. Se puder, não deixe de visitar Castro Laboreiro e fazer o Castrejo.
É um percurso que nos permite sentir profundamente o ambiente montanhoso do Gerês, tanto no seu lado mais selvagem como nas marcas da presença humana. Bem sinalizado e agradável de percorrer, o maior desafio acaba por ser a distância.

Trilho Castrejo – informação geral
- Nome: Trilho Castrejo – PR3 Melgaço
- Início: Castro Laboreiro, junto ao Hotel Castrum Villae
- Fim – Mesmo que o local de partida
- Distância: 16.8 km
- Tempo necessário – 6-7 horas, mas depende muito do seu ritmo e capacidade física.
- Dificuldade – Moderado a difícil
- Máx/min altitude: 1121/752metros
- Ganho de altitude: 836 metros
- Tipo – circular
- Sinalização (1-5) – 5, excelente
- Destaques: Ponte Nova, Rio Laboreiro, Branda de Seara
- Pode fazer download do panfleto aqui

Nossa experiência no trilho Castrejo
O Trilho Castrejo – PR3 Melgaço é o mais popular e conhecido trilho na região de Castro Laboreiro, com excelentes razões para isso. É um trilho longo, que vai demorar o dia quase todo a ser completado, mas é extraordinário. Tanto que mal o terminamos, decidimos incluir na nossa lista de melhores trilhos do Gerês.
Com quase 17 km, o trilho Castrejo é circular e está marcado em ambos os sentidos. Recomendamos fazer no sentido anti-horário — assim a subida maior não fica para o fim
Começamos o trilho junto ao Hotel Castrum Villae e vamos seguir por um caminho rural. Os dois km iniciais são bastante fáceis, apenas ligeiramente ondulante e feito em caminhos largos

A partir daí, viramos à esquerda e entramos numa calçada antiga onde vamos descer até ao rio Laboreiro, passando por várias Inverneiras e vários tipos de terrenos, desde estradão em terra, até pavimento lageado, e até pequenas partes asfaltadas. Quando chegarmos à Assureira, acabou-se a descida, e vamos atravessar a Ponte Cava da Velha.
Se estiver calor, não deixes de dar um mergulho no rio. A água é geladinha, mas irresistível. Se continuar um pouco mais abaixo da ponte, há lagoas muito apetecíveis.

Logo após a ponte, começamos uma longa subida, com um pequeno descanso pelo meio. A primeira parte da subida faz-se com alguma facilidade e leva-nos até à Inverneira da Curveira, onde se desce durante umas centenas de metros.
Após a Curveira, começa a subida mais dura deste trilho, que nos leva até próximo do Bico do Patelo, uma formação granítica curiosa. Em apenas 1 km subimos quase 200 metros de desnível! Foi a parte mais puxada do trilho e sentimos mesmo as pernas a arder, mas as vistas e a sensação de chegar lá cima compensam tudo.

A partir daqui, o percurso torna-se bastante mais fácil, vamos entrar em vários estradões ondulantes, mas que se fazem bem a bom ritmo e nos permitem apreciar as paisagens de montanha granítica, territórios do lobo-ibérico e da cabra-montês. (Infelizmente não vimos nem um, nem outro…ficou para a próxima.)
Continuando o nosso caminho, vamos chegar à Branda de Seara, o ponto mais alto do nosso caminho, 1121 metros de altitude. A partir daqui vamos descer lentamente, por caminhos rurais e murados.
Lá para o km 13, chegamos a Cainheiras, onde temos uma bonita ponte medieval. Aqui tivemos um percalço: apareceram vários cães soltos, grandes e pouco amigáveis, um deles até bastante agressivo. Tenham atenção, pois pode tornar-se perigoso. Apenas conseguimos passar, pois, eramos um grupo de 4.

Variante
Se não quiseres fazer o percurso completo, há uma variante que encurta cerca de 5 km. Depois da subida junto ao Bico do Patelo (ponto 42.021675, -8.139019), podes cortar diretamente para a aldeia de Cainheiras e continuar o trilho por aí.
Depois de Cainheiras, continuamos a descer até nos aproximarmos de Castro Laboreiro. Os últimos pontos de interesse são a ponte sobre o Rio Laboreiro, o enorme vale e as cascatas que lá se formam. A subida para a ponte de Castro Laboreiro não é longa, mas é inclinada — e depois de 16 km já percorridos, custou-nos mesmo bastante!
A partir daqui estamos de volta à aldeia e ao início do nosso caminho.

Sinalização
Este é um dos trilhos melhor sinalizados no Parque Nacional. De facto, será até dos melhores sinalizados que fizemos nos últimos tempos. Ainda assim, tenha atenção pois existem vários cruzamentos entre trilhos, e com outros caminhos.
Apesar da qualidade na sinalização, recomendamos vivamente que leve GPS, pois é sempre possível uma distração ou marcas que já não estejam visíveis.
Melhor altura do ano para fazer o trilho Castrejo
Na nossa opinião, este trilho é ideal para ser feito num dia de sol em meia estação, ou seja, na primavera ou no outono.
O trilho castrejo é bastante longo e variado, longas secções ao sol, com pouca sombra, e outras em floresta fechada. Por isso, num dia quente poderá ser mesmo muito duro terminar o percurso.
Por outro lado, há também várias seções que serão bastante perigosas se houver água ou humidade no chão, daí ser preferível evitar o inverno ou dias chuvosos.
Dica
Evite dias de nevoeiro ou chuvosos, pois alguns troços são linhas de escorrência.
Se decidir fazer o percurso no inverno, tenha também atenção que se atinge altitudes acima dos 1000 metros, pelo que deve sempre garantir o estado do tempo e se há neve.

Quem pode fazer o trilho Castrejo?
Este é um trilho bastante duro fisicamente, sobretudo pela dimensão, mas também pelo desnível acumulado. Na prática, só temos uma subida longa e inclinada, mas por outro lado, praticamente todo o percurso é a subir ou a descer, com algumas partes de elevada inclinação.
Assim, aconselhamos esta Pequena Rota a todos os amantes de caminhadas de montanha, nomeadamente aqueles já com alguma experiência e habituados a caminhar durante 5 ou 6 horas.
Em princípio, é de evitar fazer o percurso com crianças ou idosos, pois acaba por ser demasiado duro.

O que levar para o trilho Castrejo?
Apesar da dificuldade física, este não é um trilho especialmente técnico, pelo que não é necessário nenhum material específico para o completar. Eu fiz o percurso de sapatilhas de corrida e não tive problemas, mas será mais fácil com botas de caminhada.
Uma vez que começamos em Castro Laboreiro, pode aproveitar para tomar um segundo pequeno-almoço e comprar mantimentos na aldeia. Gostamos muito da Pastelaria Castrensinha “A Castrejinha”.
Assim, aconselhamos que leve:
- Muita água (no mínimo 2l por pessoa);
- Snacks;
- Calçado de caminhada confortável;
- Roupa confortável;
- Casaco de chuva, no Inverno;
- Roupa de banho, óculos de sol, chapéu e protector solar no verão;
- Câmara e telemóvel, pois existem muitas oportunidades para tirar belas fotos. Telemóvel também para ser usado como GPS.
- Mochila pequena para levar tudo isto;
Como sempre, por favor, não faça lixo. Traga tudo o que levar consigo.

Como chegar ao trilho?
O trilho começa e termina na Aldeia de Castro Laboreiro, em frente ao Hotel Castrum Villae, e por isso é muito fácil de identificar, e temos estacionamento perto.
O problema é chegar a Castro Laboreiro, pois é uma aldeia de montanha, situada no extremo norte do Parque Nacional. Não é que as estradas sejam más, mas demora bastante tempo.
Na nossa experiência, conte com cerca de 2h a 2h30 para lá chegar a partir do Porto e mais de uma hora e meia a partir de Viana do Castelo. E mesmo de Melgaço, a cidade mais próxima, são cerca de 30 minutos.
Além disto, o caminho mais rápido é muitas vezes por Espanha, atravessando a fronteira em Lindoso e depois indo para o norte para Castro Laboreiro. Se quiser ir pelo Soajo e pela Peneda, vai demorar ainda mais, mas é uma viagem muito bonita!
Onde ficar quando fizer o Trilho Castrejo?
Dadas as distâncias e sobretudo os tempos de viagem para chegar a Castro Laboreiro, sugerimos que aproveite e passe lá à noite. A aldeia é extremamente agradável, uma das nossas favoritas no Gerês, e tem vários alojamentos, restaurantes e até uma boa pastelaria.
Além disso, pode aproveitar para fazer outras atividades e visitar, por exemplo, o castelo de Castro Laboreiro, um dos mais antigos de Portugal.
Se decidir ficar por Castro Laboreiro, sugerimos o hotel O Miradouro do Castelo. É o nosso favorito em Castro Laboreiro e tem também um excelente restaurante. As vistas para o castelo e para o vale são extraordinárias.
Alternativamente temos o Hotel Miracastro, onde nunca ficamos, mas que tem bons comentários online. Veja mais informações aqui.
Pode também consultar o nosso artigo Onde Ficar no Gerês, onde falamos sobre as melhores zonas para se hospedar no parque nacional e damos mais recomendações de hotéis.
Guarde para mais tarde se lembrar!

