Descobrimos o Trilho de Levada de Víbora e Moinhos de Rei quase por acaso — e ainda bem. Bastou-nos ver meia dúzia de fotos para percebermos que tinha tudo o que adoramos: uma levada antiga, moinhos históricos e aquele cenário de cores intensas que só o outono consegue criar.
Fica em Abadim, Cabeceiras de Basto, e é um percurso circular de dificuldade de baixa a moderada, mais pelo comprimento do que pelas subidas. Mas é daqueles trilhos em que o esforço se esquece rápido — a paisagem, a água a correr e o silêncio da floresta tratam disso.
Apesar dos destaques serem a Levada e os Moinhos de Rei, a verdade é que todo o caminho é bonito, especialmente depois de uma boa chuvada, quando tudo ganha vida. É um daqueles trilhos que nos deliciou do início ao fim.
Se quiser conhecer outros percursos em Portugal, veja o nosso artigo sobre os melhores trilhos do país.
Informações práticas – Trilho de Víbora PR1 CBB
- Nome: Trilho de Víbora – PR1
- Início: Área de Lazer de Oural 41°33’40.7″N 7°58’59.5″W
- Fim: Área de Lazer de Oural
- Distância: 10.2 km
- Tempo necessário: 4 horas
- Dificuldade técnica: fácil
- Dificuldade física: fácil a moderada
- Máx altitude: 975 metros
- Ganho de altitude: 357 metros
- Tipo: circular, marcado em ambas as direções.
- Sinalização (1-5): 5. Excelentemente marcado.
- Destaques: Levada de Víbora, Moinhos de Rei, Miradouro de Porto d’Olho, Área de Lazer e Praia Fluvial de Oural.
- Pode fazer o download do panfleto aqui.
- Veja o ficheiro do GPS oficial aqui.

Descrição do trilho de Víbora
Nossa experiência no trilho
Tal como referimos logo no início, este percurso rapidamente se tornou um dos nossos favoritos no norte de Portugal. A zona dos Moinhos de Rei é absolutamente espetacular, e a levada de víbora não lhe fica atrás.
O caminho começa e termina junto à praia fluvial de Oural, na barragem de Oural, em Abadim. É também aqui que desagua a levada de víbora. Como é circular e está marcado em ambas as direções, a primeira escolha a fazer é a direção a tomar.

Nós decidimos começar logo por seguir a levada e, assim, fazer contra o ponteiro dos relógios. No início do percurso, é muito fácil de identificar porque tem um painel informativo e aí temos de seguir pela levada acima.
A primeira parte do percurso é sempre ao longo da levada, em ligeira subida, e usufruindo da bela paisagem que esta cria. Vamos caminhando sempre pela floresta e com o som da água corrente a fazer-nos companhia, e ao fim de cerca de 1 km, chegamos aos Moinhos de Rei.
Mandados construir por D. Dinis, estes moinhos foram fundamentais para o desenvolvimento da indústria de moagem na região. São icónicos, e vai perceber porquê assim que chegar. Se a levada estiver com bastante corrente, a paisagem é incrível.

Depois dos vários moinhos, continuamos a subir lentamente e em direção à nascente da levada durante mais umas centenas de metros. Toda esta zona é espetacular. Nós adoramos levadas, mas esta é particularmente bonita.
Eventualmente, temos um desvio à direita e iniciamos uma subida bem mais inclinada e mais dura. Talvez seja a zona mais complicada dos nossos caminhos, mas como é relativamente curta, rapidamente chegamos à estrada e juntamos-nos com o PR3 – Trilho de Torrinheiras.
Vamos agora pela estrada até à pequenina mas formosa aldeia de Porto d’Olho e, de seguida, até à sua capela e ao miradouro. As vistas de lá de cima fazem valer a pena o desvio. É um miradouro monumental, e a nossa única dúvida é como é possível não ser mais conhecido.

Após o miradouro, voltamos pela mesma estrada e seguimos por algumas centenas de metros até encontrarmos uma saída à direita para um caminho de floresta. Aqui começa uma longa descida. Todas estas viragens estão muito bem indicadas.
A descida pelo caminho florestal segue por cerca de 2 km, ao longo de um ribeiro, até chegarmos à área de lazer de Vívora. É também bastante agradável, com o riacho, as sombras e as mesas de piquenique.

Atravessamos a área de lazer e continuamos o nosso caminho ao longo do riacho, mas pouco depois teremos de o atravessar. Não há ponte, tem de ser mesmo pelo rio, ou pelas pedras. Se tiver chovido, pode ser bastante complicado, ou até impossível, fazer isso sem molhar os pés.
A partir daqui entramos numa zona ondulante, com subidas e descidas, onde se atravessam alguns cursos de água pequenos e um carvalhal muito bonito. Estes últimos km são sempre percorridos por caminhos florestais, sem grandes dificuldades técnicas.
Apesar do caminho não ser muito longo nem ter grandes desniveis, a verdade é que, no fim, as pernas já começam a pesar. Ao fim de cerca de 4 horas de caminhada, chegamos de novo ao ponto de partida.

Distância e tipo de percurso
Este percurso tem pouco mais de 10 km e dura cerca de 4 horas. Se decidir parar para lanchar, tirar muitas fotos e vídeos, conte com cerca de 5 horas. Foi o que nós demoramos.
É um caminho circular e, praticamente sempre, muito fácil de seguir. Está extremamente bem marcado e, quando fizemos (2025), as marcações eram novas.
Aconselhamos sempre que leve GPS e faça o download do caminho, mas, neste caso, nem precisamos de o usar, pois nunca tivemos dúvidas.
Altitude e desnível acumulado
Apesar de não ser propriamente um caminho de montanha, a levada de Víbora já está a uma altitude considerável, praticamente sempre acima dos 800 metros, e no miradouro de Porto d’Olho, chegamos a praticamente os 1000 metros de altitude.
O desnível acumulado também não é muito elevado, cerca de 350 metros.

Dificuldade técnica e física
O percurso não apresenta qualquer dificuldade técnica. Todas as viragens estão bem assinaladas, sem zonas particularmente perigosas. A única parte que pode ter problemas é atravessar a ribeira de Busteliberne, caso esta esteja muito cheia. Isso só deverá acontecer logo após chuvas muito fortes.
Se não conseguir ou quiser atravessar a Ribeira a pé, é possível fazer um pequeno desvio pela estrada, na Área de Lazer de Víbora. Como não o fizemos, não podemos dar dicas, mas estava assinalado, pois tinha chovido bastante na semana anterior.

Sinalização
Tal como já referimos, em novembro de 2025, a sinalização era perfeita. Não precisamos olhar uma única vez para o GPS. Durante boa parte do percurso, é também muito fácil seguir o caminho, pois apenas temos de seguir a levada.
Quando percorrer o trilho da Levada de Víbora
Este trilho é ideal para ser feito no outono, quando as cores da paisagem são mais fortes e impactantes. Diríamos mesmo que é um dos melhores trilhos em Portugal para se fazer nesta altura do ano. A primavera também deverá ser uma boa época, pois as temperaturas serão agradáveis e haverá bastante água na levada.
No inverno é necessário ter atenção ao frio e à água acumulada. Durante o verão, temos a vantagem de usufruir da praia fluvial, mas a levada levará pouca água. Como grande parte do caminho é feita debaixo das árvores, não temos de nos preocupar muito com o calor.

A quem se adequa o PR1 de Cabeceiras de Basto?
O caminho não é muito duro e é fácil de seguir, pelo que qualquer pessoa habituada a fazer caminhadas pode fazê-lo com relativa facilidade.
Na nossa opinião, é um excelente trilho para se iniciar em caminhadas pela natureza. No entanto, não é muito adequado para pessoas com falta de mobilidade e flexibilidade, e é impossível para cadeiras de rodas e bebés.
É também importante mencionar que, se quiser ver apenas a levada e ir aos moinhos, tudo fica ainda mais fácil. Ficamos com apenas 3 a 4 km, com inclinação quase sempre suave e muito agradável. Ideal para crianças e adultos menos atléticos.

O que levar neste trilho?
Uma vez que não há grau elevado de dificuldade física ou técnica, não é necessário levar nada de extraordinário para este percurso pedonal. Ainda assim aconselhamos que leve:
- Alguma água (cerca de 1 L por pessoa);
- Alguns snacks e lanche caso queira parar para um pequeno piquenique;
- Calçado confortável para caminhada ou sapatilhas.
- Roupa de exercício confortável;
- Casaco de chuva, no Inverno;
- Óculos de sol, chapéu e protector solar no verão;
- Câmera e telemóvel, pois há muitas oportunidades de tirar belas fotos. Telemóvel também para ser usado como GPS;
- Mochila pequena para levar tudo isto;
Como sempre, por favor, não faça lixo. Traga tudo o que levar consigo.

Como chegar à Levada de Víbora?
Para chegar ao início do percurso da Levada da Víbora, devemos primeiro ir até Cabeceiras de Basto e depois a Abadim e à praia fluvial do Oural.
Chegar a Cabeceiras de Basto é bastante fácil, pois fica muito próxima da A7, na saída de Arco de Baúlho. Desde o Porto até Cabeceiras são cerca de 100 km e demora pouco mais de 1 hora a fazer, quase sempre em autoestrada.
De Cabeceiras ao início do trilho são 15 a 20 minutos, por estradas rurais e de montanha que estão relativamente em boas condições.
De Braga é bastante mais rápido e é possível estar no início do trilho em cerca de 1 hora.

Onde ficar quando fizer o PR1 – Levada da Víbora?
Uma vez que o acesso ao trilho é relativamente rápido, não é necessário ficar alojado em Cabeceiras ou nos arredores. No entanto, se o quiser fazer, sugerimos o 3Encostas. É um hotel com piscina exterior, jardim e terraço. Veja mais informação aqui.
Guarde para mais tarde se lembrar!

