Lisboa tem uma luz inconfundível, e percebe-se isso logo nos primeiros minutos na cidade. O Tejo, as fachadas claras e as colinas ajudam muito. Mas é preciso subir a um miradouro, como o da Senhora do Monte, ao fim da tarde, para perceber porque é que esta é uma das imagens mais associadas à nossa capital.
Lisboa é o principal centro cultural do país e, para a maioria de quem visita Portugal, é também a porta de entrada. É o primeiro contacto com o país e, muitas vezes, a imagem que fica na memória de quem só tem uns dias por cá.
Este guia é o ponto de partida para quem quer conhecer Lisboa, em particular para quem a visita pela primeira vez. Escolhemos as melhores zonas para explorar, as atividades a não perder, o que comer, onde ficar e tudo o que precisa de saber antes de viajar.

Lisboa: o que precisa de saber antes de viajar
Quantos dias deves ficar em Lisboa?
O número de dias que deves passar em Lisboa depende sobretudo do tempo que tens para explorar Portugal e, claro, da possibilidade de regressares noutra altura. Ainda assim, para uma primeira viagem de 10 a 15 dias pelo país, recomendamos que reserves 3 dias para Lisboa.
Mesmo que tenhas muito pouco tempo, Lisboa merece sempre uma visita de pelo menos um dia. Será uma visita breve, sobretudo centrada no centro histórico, mas que te dará uma primeira impressão da capital. Com dois dias, já consegues conhecer muitos dos principais monumentos e aproveitar algumas das atividades mais interessantes da cidade.
Na nossa opinião, três dias em Lisboa é o ideal. Tens tempo para explorar sem andar constantemente a correr, experimentar diferentes pratos e restaurantes, relaxar e simplesmente aproveitar a cidade.

Eis como aproveitaríamos o tempo disponível:
- 1 dia em Lisboa: Concentra-te no centro histórico, sobretudo na Baixa, no Chiado e em Alfama. À noite, segue para o Bairro Alto para conheceres um pouco da vida noturna lisboeta.
- 2 dias em Lisboa: Dedica o primeiro dia à Baixa, ao Chiado e a Alfama. No segundo, explora Belém e a zona ribeirinha junto ao Tejo. Não terás tempo para ver tudo com calma, mas conseguirás ficar com uma boa ideia do que Lisboa tem para oferecer.
- 3 dias em Lisboa: Com três dias, podes explorar a Baixa, o Chiado, Alfama e Belém com mais calma. Terás também tempo para visitar o Parque das Nações ou explorar bairros como a Graça e o Príncipe Real, conhecendo uma faceta diferente de Lisboa.
Se tiveres mais tempo, podes explorar a cidade a um ritmo mais tranquilo, descobrir bairros menos turísticos ou até reservar alguns dias para fazer um dos muitos passeios a partir de Lisboa.
Se quiseres um plano mais detalhado, consulta o nosso roteiro de 3 dias em Lisboa.

Melhor época para visitar Lisboa
Quando decidimos viajar para Lisboa, temos de aceitar uma coisa: Lisboa é extremamente popular, recebendo imensos visitantes durante todo o ano, mas cada estação muda bastante a experiência.
No verão há mais sol, os dias são mais longos e o ambiente é fantástico, mas também pode estar extremamente quente e húmido. Juntando isso às grandes multidões, alguns momentos podem tornar-se menos agradáveis. Ainda assim, se planear bem a viagem e evitar as horas de maior calor, é perfeitamente possível ter uma ótima experiência no verão.
Na nossa opinião, a melhor altura para visitar Lisboa é a meia-estação, sobretudo abril, maio, junho, setembro e outubro. É quando encontramos um melhor equilíbrio entre animação, dias de sol e temperaturas agradáveis. A principal desvantagem é que, se quiser fazer praia, a água e até os dias mais frescos podem não ser os ideais.
No inverno vai encontrar uma Lisboa diferente. Há menos visitantes e, em alguns momentos, é possível sentir uma cidade mais tranquila, embora continue a ser bastante movimentada e turística. O grande problema são mesmo os dias mais curtos e a maior probabilidade de chuva. O inverno em Lisboa não é rigoroso, mas continua a ser inverno: temperaturas mais baixas, menos sol e mais dias cinzentos.

Como chegar a Lisboa
Para quem vem do estrangeiro, o mais provável é chegar a Lisboa de avião. O aeroporto fica muito perto do centro da cidade, o que torna a chegada bastante simples. Há metro diretamente no aeroporto, através da Linha Vermelha, e também pode optar por Uber ou táxi.
Nós, quando vamos para o aeroporto de Lisboa, usamos quase sempre o metro: como viajamos leves, é rápido, barato e muito conveniente. Para grupos de 3 ou 4 pessoas, Uber ou táxi pode compensar bastante pela comodidade.
Também é muito fácil chegar a Lisboa de comboio ou autocarro (Rede Expressos e FlixBus), sobretudo vindo de outras cidades portuguesas. Existem ligações frequentes de várias partes do país, incluindo Porto, Coimbra e Faro. Se vier do Porto, veja o nosso guia sobre como viajar do Porto para Lisboa, onde comparamos as principais opções.
Para quem prefere chegar diretamente ao alojamento, existem ainda transfers privados, que serão normalmente a opção mais cara, mas também uma das mais confortáveis e convenientes. Este transfer é uma das opções disponíveis.

Como se deslocar em Lisboa
A rede de transportes públicos de Lisboa é bastante funcional e permite visitar facilmente todos os principais pontos da cidade sem carro. Metro, autocarros e comboios complementam-se bem, e grande parte do centro histórico também se faz a pé.
Nós gostamos de usar o metro como base, complementando com caminhadas e, quando as distâncias ou as colinas começam a pesar, Uber ou táxi. Lisboa não é uma cidade enorme, mas tem bastante desnível e algumas zonas são mais cansativas de explorar a pé do que parecem no mapa.
Os autocarros são também uma boa opção e, atualmente, é bastante fácil consultar os horários e percursos no Google Maps. Para alguns dos destinos mais populares nos arredores, como Sintra e Cascais, também pode usar o comboio.
Preciso de carro em Lisboa?
Não. Aliás, recomendamos vivamente que não alugue carro para visitar Lisboa. Entre o trânsito, o estacionamento caro e difícil e as ruas estreitas de algumas zonas históricas, o carro acaba por trazer mais problemas do que vantagens. É muito mais simples e económico combinar caminhadas, transportes públicos e Uber ou táxi.

O que visitar em Lisboa
Baixa, Rossio e Praça do Comércio
A Baixa é o coração da Lisboa reconstruída depois do grande terramoto de 1755. Foi planeada durante a reconstrução da cidade, sob a direção do Marquês de Pombal, com ruas direitas e organizadas em grelha e edifícios de arquitetura neoclássica, algo que torna a Baixa completamente diferente do resto da cidade.
É também uma das zonas onde se concentram mais atrações, restaurantes, pastelarias, lojas e hotéis, sendo também um dos melhores lugares para ficar em Lisboa. Tem uma mistura curiosa entre locais extremamente turísticos e outros mais tradicionais, mas o movimento constante pode também tornar a zona cansativa para quem prefere bairros mais tranquilos.
Entre os principais monumentos e atrações estão:
- Praça do Comércio – a grande praça junto ao Tejo e uma das imagens mais conhecidas de Lisboa.
- Rua Augusta e Arco da Rua Augusta – a principal rua pedonal da Baixa liga o Rossio à Praça do Comércio, terminando no famoso arco.
- Rossio – uma das praças mais centrais e movimentadas da cidade, rodeada de edifícios históricos, cafés e lojas.
- Elevador de Santa Justa – um dos símbolos de Lisboa, conhecido pela sua estrutura em ferro e pelas vistas sobre a Baixa e o centro histórico.
- Convento do Carmo – as ruínas da antiga igreja são um dos lugares mais marcantes para recordar o terramoto de 1755.
Explorem a Baixa a pé e sem pressa, de preferência de manhã, antes de chegarem as maiores multidões. Mesmo depois de várias visitas, acabamos sempre por descobrir algum detalhe ou coisa nova em que ainda não tínhamos reparado.

Chiado e Bairro Alto
O Chiado é uma das zonas mais interessantes de Lisboa para passear durante o dia. Elegante e movimentada, está repleta de lojas, cafés, livrarias, teatros e alguns dos locais mais emblemáticos da cidade.
O Bairro Alto fica logo ao lado e tem uma personalidade completamente diferente. Durante o dia é relativamente tranquilo, mas ao fim da tarde começa a ganhar vida e é à noite que o bairro se transforma. Há inúmeros bares, restaurantes e casas de Fado, sendo uma das melhores zonas de Lisboa para continuar a noite depois do jantar.
Não percam:
- Livraria Bertrand – fundada em 1732, é reconhecida pelo Guinness como a livraria mais antiga do mundo ainda em funcionamento.
- A Brasileira – um dos cafés históricos de Lisboa, famoso também pela estátua de Fernando Pessoa à entrada.
- Largo do Chiado – uma das zonas mais movimentadas do bairro, rodeada de lojas, cafés e edifícios históricos.
- Teatro Nacional de São Carlos – o principal teatro de ópera de Lisboa, no Largo de São Carlos.
Visitem o Chiado durante o dia e deixem o Bairro Alto para mais tarde. Jantar numa casa de Fado e depois ficar pelos bares é uma das melhores formas de aproveitar esta zona de Lisboa.

Alfama e Castelo de São Jorge
A este da Baixa Pombalina fica Alfama, uma das zonas mais antigas de Lisboa. No topo da colina está o Castelo de São Jorge, um dos monumentos mais imponentes da cidade e um dos melhores lugares para apreciar as vistas sobre Lisboa e o Tejo.
O bairro mantém as ruas estreitas, escadinhas e becos com raízes no período muçulmano. É uma zona para explorar com calma, entre pequenos recantos, restaurantes e casas de Fado.
Na visita a Alfama, não pode faltar:
- Castelo de São Jorge – o grande monumento de Alfama, no topo da colina, com algumas das melhores vistas da cidade.
- Sé de Lisboa – a nave principal é gratuita e vê-se em minutos, mas vale a pena pagar o bilhete (~7€) para subir ao coro alto e visitar o claustro gótico e o Museu do Tesouro.
- Miradouro de Santa Luzia – um dos miradouros mais bonitos de Lisboa, com vista sobre os telhados de Alfama e o Tejo.
- Miradouro das Portas do Sol – outro dos grandes miradouros da zona e um ótimo lugar para parar durante a subida.
Tenham também em conta que Alfama fica numa das colinas de Lisboa e algumas das subidas são bastante íngremes. Se não estiver habituado a andar em desnível, vai senti-las.

Belém
São só cerca de 6 km que afastam Belém do centro histórico de Lisboa, mas quando lá chegamos parece quase que mudámos de cidade. Originalmente era uma povoação separada de Lisboa, e ainda hoje o ambiente é bastante diferente: é uma zona aberta, junto ao Tejo, com jardins, grandes edifícios e alguns dos monumentos mais importantes da cidade.
Na realidade, é sobretudo pelos grandes monumentos e pelos Pastéis de Belém que vale a pena vir até aqui. Depois, aproveite para caminhar junto ao Tejo, que é uma das partes mais agradáveis da visita a Belém.
Em Belém, não perca:
- Mosteiro dos Jerónimos – provavelmente o monumento mais importante da zona e uma das grandes obras do estilo manuelino. Neste, recomendamos entrar e usufruir completamente.
- Torre de Belém – o interior é pequeno e visitá-la obriga à reserva antecipada (mesmo com Lisboa Card), por isso muitas vezes compensa mais vê-la bem de fora do que ter de organizar todo o dia em volta deste horário.
- Padrão dos Descobrimentos – o miradouro no topo tem uma das melhores vistas sobre o Mosteiro e o Tejo, com muito menos fila do que a Torre de Belém.
- Pastéis de Belém – a histórica confeitaria onde são feitos os famosos pastéis, seguindo uma receita ligada ao antigo mosteiro.
Nós reservaríamos pelo menos meio dia para Belém, e mais se quiser entrar no Mosteiro dos Jerónimos ou visitar um museu. Se possível, comecem pelos Jerónimos logo de manhã, antes das maiores multidões.

Parque das Nações
A antiga zona industrial e portuária foi completamente transformada para receber a Expo-98, que acabou por ser um enorme sucesso, e muitos dos edifícios e espaços criados na altura ficaram para a cidade. O resultado é uma zona muito mais aberta e moderna, com edifícios contemporâneos, jardins e uma longa frente junto ao Tejo.
Destaque para:
- Oceanário de Lisboa – uma das atrações mais populares da zona e, na nossa opinião, uma das melhores visitas do Parque das Nações.
- Teleférico – uma forma diferente de conhecer a zona e apreciar o Tejo.
- Torre Vasco da Gama – hoje faz parte do hotel MYRIAD by SANA, e desde 2023 o topo voltou a estar acessível ao público (mediante bilhete ou ida ao restaurante)
É aqui que costumamos ficar quando vamos a Lisboa por outros motivos que não turismo, e para nós é uma das melhores zonas da cidade para ficar quando queremos um ambiente mais tranquilo e moderno. Não tem o encanto de Alfama ou do Chiado, mas é muito mais sossegado.

Príncipe Real e Estrela
Príncipe Real e Estrela ficam a oeste do centro histórico e são duas zonas bastante diferentes, apesar de ficarem relativamente perto uma da outra. O Príncipe Real tem mais movimento, restaurantes, lojas e alguns palacetes interessantes, enquanto a Estrela é mais calma e vive muito à volta do jardim e da basílica.
Não deixe de conhecer:
- Jardim do Príncipe Real – o centro do bairro e um bom lugar para começar a explorar a zona.
- Jardim da Estrela – um jardim grande e agradável, perfeito para parar um pouco quando o tempo está bom.
- Basílica da Estrela – uma das igrejas mais conhecidas de Lisboa, facilmente reconhecível pela enorme cúpula branca. Por um valor simbólico, pode subir à cúpula para uma das vistas menos conhecidas sobre Lisboa.
Não são zonas que consideramos essenciais numa primeira viagem curta a Lisboa, mas se tiver mais tempo, venha conhecer este lado mais tranquilo da cidade, aproveitando para parar num café ou restaurante. Pode começar pelo Príncipe Real e seguir a pé até à Estrela.
Graça e Mouraria
A Graça e a Mouraria ficam nas colinas logo a norte da Baixa e são duas zonas onde ainda se sente bastante da Lisboa mais antiga. A Mouraria tem uma importância especial na história da cidade e do Fado, sendo tradicionalmente apontada como um dos bairros onde o género nasceu e onde viveu a Severa.
A Graça é sobretudo conhecida pelas vistas e pela localização no alto da colina. Tal como Príncipe Real e Estrela, não são paragens essenciais numa primeira visita rápida, mas compensam bastante se tiver mais um dia disponível.
- Miradouro da Senhora do Monte – uma das melhores vistas sobre Lisboa, com o Castelo, a Baixa e o Tejo em frente.
- Miradouro da Graça – outro dos bons miradouros da zona, mesmo junto à Igreja da Graça.

O que fazer em Lisboa
Explorar Lisboa a pé
Lisboa é uma cidade para se usufruir a pé. É a melhor forma de descobrir os recantos da cidade ao nosso ritmo e encontrar aquilo que mais valorizamos numa viagem, seja arte urbana, tascas ou lojas locais.
Além disso, Lisboa é rica em ruas e ruelas cheias de charme, e zonas como Alfama, Mouraria, Chiado e Baixa são muito mais agradáveis a pé do que de qualquer outra forma.
No entanto, além das famosas colinas, prepare-se também para a calçada portuguesa. É bonita e está por todo o lado, mas algumas zonas podem ser bastante escorregadias, sobretudo quando estão molhadas. Uns sapatos confortáveis e com boa aderência fazem bastante diferença.
Nós adoramos lançar-nos por um bairro lisboeta e ir descobrindo os seus pequenos segredos. Muitas vezes é mais satisfatório do que andar à procura de todos os grandes monumentos. Se preferir ter alguém consigo, existem também muitos passeios organizados a pé pelas várias zonas da cidade. Temos, por exemplo, este em grupo, ou este se preferir um tour privado.
Se não quiser ou não puder caminhar muito, uma alternativa bastante popular é alugar um tuk-tuk para explorar a cidade. Não é a mesma coisa, claro, mas pode ser uma boa opção. Já o fizemos e foi bastante agradável.

Andar de elétrico e funicular
Tanto os elétricos como os funiculares são instituições de Lisboa e, por isso, também são uma das experiências que quase todos os turistas querem experimentar. Até porque nos permitem fazer um dois em um: enquanto o elétrico nos leva de uma zona para outra, vamos também conhecendo a cidade de uma forma muito própria.
O mais famoso é, naturalmente, o 28E, que atravessa alguns dos bairros mais interessantes de Lisboa, incluindo Graça, Alfama, Baixa e Estrela. É uma forma muito gira de conhecer a cidade, mas é também uma das experiências mais procuradas pelos turistas, pelo que pode ser difícil encontrar lugar e, em certas horas, a viagem pode ser bastante apertada.
Pode parecer cliché, mas o elétrico tem mesmo a capacidade de nos transportar no tempo. O carro de madeira, os sons, as buzinas e, claro, as ruas e bairros de Lisboa dão-lhe um ambiente muito próprio.
Os funiculares da Bica, Glória e Lavra são outra boa forma de vencer algumas das colinas mais íngremes da cidade e, tal como os elétricos, fazem parte da história de Lisboa.

Subir aos miradouros
Lisboa é conhecida como a cidade das sete colinas e isso tem uma grande vantagem para quem a visita: há miradouros por todo o lado, muitos deles com vistas completamente diferentes sobre a cidade e o Tejo. A mistura de colinas, telhados, igrejas, prédios coloridos e o rio torna Lisboa particularmente fotogénica.
Mais do que apenas lugares para tirar fotografias, os miradouros de Lisboa são pontos de encontro, onde as pessoas param para conversar, ouvir música, tomar um café ou ficar numa esplanada.
Alguns dos nossos favoritos são:
- Miradouro das Portas do Sol – uma das vistas mais conhecidas de Lisboa, sobre Alfama e o Tejo.
- Miradouro de São Pedro de Alcântara – uma vista muito bonita sobre a Baixa, o Castelo e a encosta de Alfama.
- Miradouro da Senhora do Monte – fica num dos pontos mais altos da cidade e tem uma vista muito aberta sobre Lisboa.
- Miradouro de Santa Catarina (Adamastor) – mais descontraído e com um ambiente particularmente agradável ao fim da tarde.

Ouvir Fado
O Fado é uma das expressões culturais portuguesas mais conhecidas internacionalmente e a sua ligação a Lisboa é íntima. Desenvolveu-se na cidade no século XIX e continua a estar muito presente na vida cultural de Lisboa, sobretudo nos bairros mais antigos. Não é por acaso que o Fado é Património Cultural Imaterial da Humanidade desde 2011.
Apesar de ser possível ouvir Fado noutras cidades portuguesas, é em Lisboa que, para nós, esta experiência faz mais sentido. Sugerimos que escolha uma boa casa de Fado, jante por lá e deixe-se ficar durante o espetáculo. É uma daquelas experiências que vale a pena fazer pelo menos uma vez numa visita a Lisboa.
Se quiser saber mais sobre o que é o Fado, a sua importância e onde o ouvir, veja o nosso artigo completo sobre Fado.

Explorar o Tejo
Uma das melhores formas de conhecer Lisboa é também sair um pouco da cidade e vê-la a partir do Tejo. Um passeio de barco ao final da tarde, por exemplo, permite apreciar a Praça do Comércio, Belém, a Ponte 25 de Abril e vários dos principais monumentos de uma perspetiva completamente diferente.
Mas não precisa de gastar muito para aproveitar o rio. Apanhar um ferry para a margem sul é uma alternativa simples e barata, e a própria viagem já vale a pena pelas vistas sobre Lisboa. Se preferir ficar em terra, também é muito agradável caminhar junto ao Tejo, em Belém ou no Parque das Nações, ou simplesmente parar na Praça do Comércio, especialmente ao pôr do sol.
Existem vários passeios de barco pelo Tejo, incluindo opções ao final do dia. Se tiver de escolher apenas uma experiência no Tejo, recomendamos esta altura: Lisboa fica especialmente bonita quando começa a anoitecer.

Descobrir os azulejos de Lisboa
Os azulejos são uma das características que tornam Lisboa tão bonita. Mas o mais interessante, para nós, é que estão literalmente por toda a parte, desde alguns dos monumentos mais imponentes (como a Igreja de São Roque e o Mosteiro de São Vicente de Fora) até às casas particulares mais humildes.
Ir descobrindo a variedade dos azulejos, o detalhe dos desenhos e a forma como são usados em diferentes ruas e edifícios torna os passeios por Lisboa ainda mais interessantes. Muitas vezes nem precisamos de procurar: basta começar a reparar nas fachadas.
Se gosta particularmente deste tipo de arte, existem também workshops onde pode aprender a pintar o seu próprio azulejo. Outra opção é visitar o Museu Nacional do Azulejo, instalado no antigo Convento da Madre de Deus. Infelizmente está encerrado desde novembro de 2025 e ainda sem data de reabertura confirmada. Verifique o site oficial antes de incluir no roteiro.

O que comer em Lisboa
Como seria de esperar na capital do país, Lisboa é um excelente lugar para conhecer e experimentar a comida tradicional portuguesa. Aqui vai encontrar restaurantes que servem um pouco de tudo, desde bacalhau e marisco até pratos e especialidades de outras regiões, como o Porto, o Alentejo ou o Minho.
No entanto, se também vai viajar pelo resto do país, recomendamos que aproveite para experimentar os pratos mais tradicionais de cada região na sua própria zona. Em Lisboa há também algumas coisas muito próprias, ou pelo menos muito ligadas à cidade, que não deve deixar de provar:
- Pastel de nata / Pastel de Belém – Se for a Belém, não perca a oportunidade de entrar na Pastéis de Belém, a confeitaria original. Não se assuste com a fila: o espaço é enorme e normalmente avança rapidamente. Veja também o nosso artigo sobre onde comer pastéis de nata em Lisboa.
- Bacalhau à Brás – Hoje encontra-se um pouco por todo o país, mas é um prato fortemente associado a Lisboa. É uma excelente introdução ao bacalhau em Portugal e um dos nossos pratos favoritos. Se quiser fazer em casa, temos também a receita de Bacalhau à Brás.
- Peixinhos da Horta – Legumes envolvidos em polme e fritos, uma especialidade tradicional portuguesa frequentemente associada à origem da tempura japonesa.
- Sardinhas assadas – Um dos sabores mais associados a Lisboa, sobretudo durante as Festas de Lisboa, quando as sardinhas e os grelhadores aparecem por toda a cidade.
- Amêijoas à Bulhão Pato – Amêijoas cozinhadas com alho, azeite, coentros e limão. Um clássico da cozinha lisboeta e uma ótima escolha para partilhar.
Veja aqui o nosso artigo completo sobre o que comer em Lisboa, com explicações sobre o que é o prato, suas origens e onde comer.

Onde ficar em Lisboa
Apesar de ser a maior cidade de Portugal, Lisboa, e sobretudo a zona mais central, não é particularmente grande. Ainda assim, escolher bem onde ficar pode mudar bastante a experiência da viagem. A zona ideal depende muito do que procura: estar perto de tudo, sair à noite, ter mais tranquilidade, ficar junto ao rio ou simplesmente gastar menos.
- Baixa, Rossio e Chiado – A escolha mais óbvia para uma primeira visita: fica perto de praticamente tudo, pois são centrais, têm muitos restaurantes e ficam perto de grande parte das principais atrações.
- Alfama – Para quem quer ficar no meio da Lisboa mais antiga, entre ruas estreitas, Fado e miradouros. Prepare-se para muitas colinas e escadas.
- Avenida da Liberdade – Central, elegante e cheia de bons hotéis. É cara, mas evita parte da confusão da Baixa.
- Bairro Alto e Cais do Sodré – A melhor escolha para quem quer estar no centro da vida noturna de Lisboa. O problema é mesmo o barulho, por isso garanta que tem boa insonorização.
- Príncipe Real e Estrela – Duas boas opções para quem prefere uma zona mais tranquila, com bons restaurantes, lojas e um ambiente mais residencial. Sobretudo se já conhecer bem o centro de Lisboa.
- Belém – Uma boa alternativa para quem prefere o rio, os monumentos e um ambiente mais sossegado. Apesar de ser um bairro de visita obrigatória, só aconselhamos cá ficar se já conhecer bem as zonas mais centrais (Baixa, Alfama, Chiado, etc.).
- Parque das Nações – Uma Lisboa mais moderna e espaçosa, que funciona muito bem para famílias e para quem prefere ficar longe do centro histórico, seja por já o conhecer bem ou por querer evitar a confusão.
- Zonas mais afastadas do centro – Podem ser uma excelente forma de poupar na época alta, desde que não se importe de usar transportes públicos. Arroios, Anjos e Alvalade, por exemplo, têm bons acessos e bastante oferta de alojamento.
Para uma análise mais detalhada, veja o nosso guia completo sobre onde ficar em Lisboa, onde explicamos melhor o que esperar de cada zona e recomendamos alojamentos para diferentes orçamentos e tipos de viagem
Passeios de um dia a partir de Lisboa
Além de estar repleta de monumentos e atividades para conhecer, Lisboa fica também perto de vários outros lugares muito interessantes de Portugal, funcionando como uma ótima base para fazer alguns passeios de um dia.
- Sintra – Uma vila histórica completamente diferente de Lisboa, famosa pelos seus palácios, jardins e pelo ambiente romântico e algo excêntrico. Entre o Palácio da Pena, a Quinta da Regaleira, o Palácio de Monserrate e o Castelo dos Mouros, há muito para conhecer e é fácil chegar de comboio.
- Cascais – cidade costeira, mais sofisticada, com praias, bons restaurantes e um ambiente peculiar e relaxado.
- Ericeira – vila costeira com excelentes praias e uma forte ligação ao surf. É uma boa opção para quem quer mar e um ambiente mais descontraído.
- Mafra – Vale sobretudo pelo enorme Palácio-Convento de Mafra e pela sua espetacular biblioteca. É também fácil de combinar com a Ericeira.
- Óbidos – Uma das vilas medievais mais bonitas perto de Lisboa, perfeita para passear pelas ruas dentro das muralhas.
- Setúbal e Arrábida – Uma opção muito interessante para quem prefere praias, natureza e boa comida, sobretudo nos meses mais quentes.
Sintra é sem dúvida a mais popular, mas está longe de ser a única. A partir de Lisboa pode facilmente trocar palácios por praias, vilas medievais por serra, ou uma escapadinha cultural por um dia de mar.
Para conhecer mais opções, veja o nosso guia completo das melhores escapadinhas a partir de Lisboa.

Lisboa em resumo
Lisboa é uma cidade que merece mais do que uma passagem rápida. Em dois dias consegue conhecer o essencial, mas três dias permitem aproveitar muito melhor a cidade, sem andar constantemente a correr de um monumento para o outro.
Como portugueses, claro que já fomos imensas vezes a Lisboa, seja em trabalho, viagem, turismo ou só porque sim… E continuamos a encontrar sempre algumas coisas novas. Um miradouro onde ainda não tínhamos parado, uma rua por onde nunca tínhamos passado, um restaurante que nos surpreende ou simplesmente um bairro que vemos com outros olhos.
É isso que mais gostamos em Lisboa: mesmo quando pensamos que já conhecemos a cidade, ainda há sempre qualquer coisa para descobrir.
Perguntas frequentes sobre Lisboa
Lisboa é segura?
Sim, Lisboa é geralmente uma cidade segura para visitar. As zonas que recomendamos neste guia são, de forma geral, seguras para ficar e isso foi também tido em conta na nossa seleção. Ainda assim, como em qualquer grande destino turístico, convém ter os cuidados habituais com carteiras, telemóveis e outros objetos de valor, sobretudo à noite e em zonas muito movimentadas ou nos transportes públicos.
Lisboa é cara?
Lisboa já não é uma cidade barata, especialmente quando falamos de alojamento. Ainda assim, é possível visitar a cidade com orçamentos bastante diferentes: há alojamentos, restaurantes e atividades para vários preços, e muitas das melhores coisas para fazer em Lisboa são gratuitas.
Lisboa é boa para viajar com crianças?
Sim. Lisboa tem várias atrações que funcionam muito bem para famílias, desde o Oceanário a jardins, parques e atividades junto ao Tejo. O principal desafio são as colinas e as muitas escadas, pelo que convém escolher bem a zona onde ficar e não tentar fazer demasiadas coisas num só dia.
Vale a pena comprar o Lisboa Card?
Depende muito do que pretende visitar. O Lisboa Card dá acesso gratuito a mais de 50 museus e espaços culturais e inclui transportes públicos ilimitados durante 24, 48 ou 72 horas, pelo que pode compensar bastante se quiser visitar vários monumentos pagos. Para quem prefere passar os dias a andar pela cidade, visitar poucos monumentos e entrar em restaurantes e cafés pelo caminho, provavelmente não compensa. Tenha também em atenção que, atualmente, é necessária reserva para visitar a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos com o Lisboa Card.
A calçada portuguesa em Lisboa é escorregadia?
Sim, pode ser, sobretudo quando está molhada. As pedras de calcário da calçada ficam mais lisas com o uso e a chuva pode torná-las bastante escorregadias, especialmente nas descidas e nas zonas mais inclinadas de Lisboa.
No entanto, não é preciso fazer um filme e trazer botas de caminhada para visitar a cidade. Basta trazer calçado confortável, que já tenha usado antes, e com uma sola que tenha boa aderência. Sapatos de sola lisa não são a melhor opção, principalmente se chover.
Se visitar Lisboa no verão e estiver tudo seco, provavelmente nem vai pensar muito nisso. Mas se apanhar chuva, vai perceber rapidamente porque é que esta é uma das perguntas que aparece tantas vezes quando se fala em visitar Lisboa.
Guarde para mais tarde se lembrar!



